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Brasília,
DF, 26 de março de 2006, 20h28min.
Paulo
França*/Especial para o Soeconomia

(Brasília,
Soeconomia)
Ministro
da Agricultura tenta tirar o campo da crise
O ministro da Agricultura terá seu teste
decisivo. Se não emplacar um pacote
contra o rombo de R$ 30 bi no campo, pode
dizer adeus
Eram 10h30 da quarta-feira 22, quando o
ministro Roberto Rodrigues, da Agricultura, entrou apressado no gabinete do presidente
Lula, no Palácio do Planalto. Rodrigues estava tenso e angustiado. "Os
agricultores já perderam R$ 30 bilhões nos últimos dois anos", desabafou o
ministro que, naquele momento, cogitava até deixar o cargo. "Não dá para
agüentar mais um ano de aperto". Lula ficou espantado com o relato de Rodrigues
e com a dimensão da crise no campo. Os dois examinaram algumas planilhas
apontando quebra de safra em diversas regiões do País. Conversaram a sós
durante mais de uma hora e foram interrompidos apenas por quinze minutos, com a
presença do ministro da Fazenda - Antônio Palocci entrou no gabinete, viu
algumas propostas de Rodrigues e disse que examinaria com cuidado. Ao meio-dia,
Lula decidiu encerrar a reunião, mas antes convocou um novo encontro, para a
segunda-feira 27, com a presença de quatro ministros: Rodrigues e Palocci, além
de Dilma Roussef, da Casa Civil, e Paulo Bernardo, do Planejamento. "Isso vai
ser resolvido", prometeu o presidente. Ao assumir o compromisso, Lula segurou o
ministro no cargo.
Ministro
reinvidica R$ 2 bilhões para a comercialização da safra
A questão é que Rodrigues hoje corre contra
o tempo. Com a chegada da colheita de grãos, nos meses de março e abril, o
ministro quer arrancar do Ministério da Fazenda, com urgência, uma verba de R$
2 bilhões para a comercialização da safra - tais recursos garantem ao
agricultor a venda de seus produtos sem prejuízo. No ano passado, Rodrigues fez
o mesmo alerta também em março e os recursos só saíram em setembro, seis meses
depois da colheita, e ainda com corte orçamentário de 30%. Resultado: os
agricultores venderam as mercadorias abaixo do preço de custo, endividaram-se e
hoje estão com a corda no pescoço. "Tudo no campo tem o seu tempo certo", diz
Rodrigues. A solução agora, propõe o ministro, é renegociar as dívidas e aprovar
novas medidas de incentivo ao produtor. No que já vem sendo chamado de "pacote
de bondades rural", estão previstas a redução de impostos de insumos, como
adubos e fertilizantes, a criação de linhas de crédito e de subsídios para a
soja, que seria utilizada nos programas oficiais de biodiesel. A questão é que
também existem alguns empecilhos. O maior deles é o fato do Congresso ainda não
ter votado o Orçamento da União de 2006 - pelo menos, é essa a desculpa da
Fazenda para não liberar os R$ 2 bilhões da comercialização da safra. "Se não
tiver orçamento, vai ter que ser por medida provisória", contrapõe o ministro.
Se a
gripe aviária chegar ao Brasil, a situação vai piorar
Em pouco mais de três anos de governo, o
ministro vem tendo de lidar com crises simultâneas. Rodrigues viu a renda do
agricultor derreter com a queda drástica do dólar, enfrentou um surto de febre
aftosa que ele mesmo previu com antecedência e ainda tem acompanhado com
desgosto a conivência do governo com as recorrentes invasões de terra. Por
isso, em várias ocasiões, ele foi pressionado pelos produtores a abandonar o
barco. Muitos ruralistas avaliam que ele vem sendo usado. "O governo se vale da
nossa maior liderança para desmontar a agropecuária", diz o deputado federal
Ronaldo Caiado (PFL-GO). "Rodrigues não pode colocar sua biografia a perder",
emenda Vilmar Rossoni, deputado estadual do Paraná e um dos maiores empresários
do setor de compensados de madeira. "No setor madeireiro já demitimos mais da
metade dos nossos funcionários". A situação pode piorar se o vírus H5N1 (da
gripe aviária) chegar ao Brasil.
Rodrigues, porém, acredita que, desta vez,
a ficha caiu. Na reunião de quarta-feira, o ministro convenceu o presidente
Lula de que não se trata de uma crise apenas do campo. Um dos números que ele
mostrou foi o resultado apontado pela Confederação Nacional da Agricultura
sobre o PIB do setor em 2005: queda de 4,7%. Sem essa retração, o Brasil teria
crescido mais de 3,5% no ano passado - e não a uma taxa haitiana de 2,4%. Além
disso, as vendas no comércio varejista das cidades do centro-sul do País, que
são dependentes da agricultura, caíram 20% neste início de ano. Para piorar, 13
municípios do Mato Grosso já decretaram situação de emergência em função da
crise da soja - o próprio Estado, que perdeu R$ 50 milhões mensais de
arrecadação, deverá seguir no mesmo caminho. "Não dá mais para adiar uma
solução", diz o ministro.
Reivindicações
do Ministro da Agricultura do Brasil:
• R$ 2 bilhões para a comercialização da
safra.
• Menos impostos na compra de máquinas e
insumos.
• Isenção tributária no lucro.
• Novas linhas de crédito do BNDES, com
juros menores.
• Inclusão da soja no programa de subsídios
do biodiesel.
• Alíquota menor na importação de
defensivos.
Convenção
Internacional em Curitiba discute a Biodiversidade
Governo
quer proteger 10% da Amazônia com Unidades de Conservação
O Ministério do Meio Ambiente estuda criar
mais 5 milhões de hectares em Unidades de Conservação (UCs) na Amazônia até o
final do governo atual, conforme informou no sábado (25/3) o secretário de
Biodiversidade e Florestas do Governo Federal. "Com essas novas UCs, a proteção
da região, em terras federais, chegará a 51 milhões de hectares, o equivalente
a 10% da área total", disse. Para o secretário, as unidades de conservação,
junto com as terras indígenas, são uma barreira fundamental contra o
desmatamento.
Brasil
troca informações sobre desenvolvimento sustentável com outros países
O Dia do Brasil na 8ª Conferência das
Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP8) contou com uma série de
encontros promovidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e pelo
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na tentativa de
trocar experiências sobre desenvolvimento sustentável com outros países. Os
participantes falaram sobre biocombustível, política de reforma agrária e
estratégias de desenvolvimento sustentável em territórios rurais.
O Brasil apresentou exemplos de projetos
agroflorestais e agroextrativistas já implementados nessas áreas e que apontam
perspectivas de sucesso. Sobre combustíveis renováveis, foi apresentada a
cronologia do uso do biodiesel , produzido a partir de óleos vegetais.
"Esperamos que o consumo de biodiesel
aumente e represente pelo menos 5% de todo o diesel consumido no país.Até que o
todo o diesel utilizado no Brasil seja ambientalmente correto, estamos
incentivando os pequenos produtores a cultivarem sementes oleaginosas, mas sem
deixar de lado as outras culturas", explica o cooordenador de geração de renda
do Ministério do Desenvolvimento Agrário.
Empresas
que mais crescem se preocupam com o meio ambiente
Um estudo divulgado na Inglaterra mostra
que as empresas que têm preocupações sócio-ambientais são as que mais crescem
no mundo. "O que acontece é que normalmente uma empresa concentra o foco
na sua atividade e não olha no entorno, mas pensar a biodiversidade é uma nova
visão do mundo dos negócios", afirmou o Coordenador de Políticas Públicas
do WWF-Brasil, Ele lembrou como exemplo o caso da atuação de um empreendimento
que teve de fazer uma movimentação de populações indígenas. "A conta
chegou 20 anos depois e a empresa teve de pagar uma fortuna. O que nós queremos
é que elas se preparem além do business
plan e incorporem a biodiversidade na sua visão estratégica para evitar problemas
deste tipo", explicou.
(*)
Paulo França é consultor em economia, captação de recursos, investimento e
financiamento; conferencista; editor-chefe do Soeconomia e autor do Livro
Captação de Recursos para Projetos e Empreendimentos, publicado pela Editora
Senac-DF. Fale com o colunista pelo e-mail paulofranca@brturbo.com.br.
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