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Publicado em 13 de janeiro de 2010 (16h26min)
Paulo França*
soeconomia@soeconomia.com.br
www.soeconomia.com.br
Comunicado da Presidência nº 38,
apresentado em São Paulo,
analisa a melhoria nos indicadores
O Brasil encontra-se diante da oportunidade
histórica de praticamente erradicar a pobreza extrema até 2016 e obter o menor
índice de desigualdade de renda desde que os registros começaram a ser feitos
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1960. Para
atingir esses resultados, o País precisa manter o ritmo de melhorias sociais
observado nos últimos cinco anos, segundo o Comunicado da Presidência nº 38,
apresentado nesta terça-feira, 12, em São Paulo.
O estudo, intitulado Pobreza, desigualdade
e políticas públicas, foi detalhado pelo presidente do Instituto, Marcio
Pochmann, no auditório da Superintendência da Caixa Econômica na Praça da Sé. O
documento mostra que, entre 2003 e 2008, a queda média anual na taxa nacional de
pobreza extrema (até ¼ de salário mínimo per capita) foi de 2,1%. Já a queda
média anual na taxa de pobreza absoluta (até meio salário mínimo per capita)
foi de 3,1%.
Caso o desempenho do período 2003-2008 seja
projetado para 2016, o Brasil chegará ao ano da Olimpíada no Rio de Janeiro com
indicadores sociais próximos aos dos países desenvolvidos, aponta o Comunicado
da Presidência. O índice de Gini (uma das mais conhecidas medidas de
desigualdade de renda), por exemplo, atingiria 0,488 naquele ano, ante 0,544 em
2008. Quanto mais próximo de 1, mais desigual é o país. A Itália tem,
atualmente, um índice de 0,33, enquanto nos Estados Unidos ele é de 0,46, e na
Alemanha, de 0,26.
"Se em 2008 a taxa de pobreza
absoluta era de 28,8%, em 2016 pode chegar a 4%. Da mesma forma, a pobreza
extrema pode ser reduzida a 0%", afirmou Pochmann, ressaltando que acabar
definitivamente com a pobreza é um desafio que nem países altamente
desenvolvidos conseguem superar. O presidente do Ipea declarou que o intervalo
de 2003 a
2008 foi o melhor período de redução da pobreza no País.
Entre os motivos para essa melhoria,
Pochmann destacou a maneira como o Estado se estruturou, desde a Constituição
de 1988, para lidar com a problemática da pobreza. "Até 1988, o Estado
atendia a população de maneira quase filantrópica, ou não atendia. As grandes
estruturas de atendimento armadas desde a Constituição estão em sintonia com
aquelas existentes em países desenvolvidos", disse.
"A despeito do crescimento econômico pequeno
nos anos 1990, as mudanças evitaram que pudéssemos ter desestruturação
social", continuou o presidente do Ipea, que mencionou ainda a
descentralização das políticas públicas (com papel maior assumido pelos
municípios) e a maior participação da sociedade na conformação e gestão das
políticas sociais como fatores preponderantes para os avanços.
Segundo Pochmann, o Instituto divulgará em
breve uma outra pesquisa com a mesma temática, analisando a mudança do perfil
dos pobres no Brasil nas últimas quatro décadas.
* Paulo França é o Publisher do SOECONOMIA
e Economista pela Universidade de São Paulo, com Cursos em Ciências Políticas
e Administração de Empresas no Mestrado Stricto-Sensu. É articulista econômico
em Jornal (Boletim de Notícias de Goiás), tendo também experiências em
Revistas, Rádio, TV e Internet. Palestrante em diversos estados do Brasil ministrando
cursos de captação de recursos para o terceiro setor e setores financeiro, em
mineração, bens de capital, celulose,tecnologia, hotelaria, automotivo, entre
outros. Consultor em investimento e financiamento. Criador do Soeconomia
(veículo de comunicação, www.soeconomia.com.br). Autor do Livro Captação de
Recursos para Projetos e Empreendimentos com 3.000 exemplares editados e
disponível nas Livrarias Senac, Cultura, FNAC, MegaSaraiva, Submarino, entre
outras.
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