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Publicado em 31 de julho de 2009 (13h)
Paulo França*
soeconomia@soeconomia.com.br
www.soeconomia.com.br
Redução dos juros, o que muda em sua vida?
Segundo o educador financeiro Reinaldo Domingos, a decisão do
Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que cortou na
terça, 22 de julho, a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 pontos percentual,
caindo os juros de 9,25% para 8,75% ao ano, promete reflexos positivos na
economia, mas, é necessário cuidado para que uma possível euforia não seja
repassada para o consumo desenfreado.
Isso porque, a Selic bancária baixa não tem reflexo imediato nos
juros bancários, nos cartões de créditos e em outros tipos de linhas de
crédito. Apesar de terem alguns bancos se antecipado, abaixando as taxas de
juros, o reflexo só se tornará mais efetivo depois de seis meses. Além disso,
as reduções nas taxas só são interessantes se ocorrem de forma drástica, pois,
na situação atual são abusivas e levam os consumidores ao endividamento rápido.
Existem casos, como os de cartão de crédito, que as taxas estão
acima de 10% ao mês, fazendo com que qualquer dificuldade de pagamento de uma
fatura reflita em uma "bola de neve", onde a consumidor verá as dívidas
crescendo de maneira exponencial.
Motivo da alta taxa de juros
E qual os motivos que levam a essas altas taxas de juros? Essa
resposta é simples, além da falta de controle mais rígido do governo essas
sobre práticas de juros abusivas, existe o medo dos bancos que fornecem esse
serviço de não receberem o dinheiro emprestado e terem prejuízos, em função da
alta taxa de inadimplência no país. Criando a necessidade de aumentar a
lucratividade para não sentir possíveis perdas.
A solução para esse problema, possibilitando que consumidor
aproveite o momento de crescimento pelo qual nossa economia passa, é o consumo
consciente em conjunto com a educação financeira.
O consumo consciente é a ação de o consumidor refletir antes de
uma compra, sobre os impactos que terá para ele e para todo o meio em que vive.
As perguntas são simples: ‘Necessito realmente desse produto? O que essa
aquisição trará de positivo e de negativo para mim? E para o meio em que vivo,
essa compra terá algum impacto? Qual?'.
Nesse ponto é importante que todos pensem sobre como são
responsáveis pelos efeitos sociais e ambientais de nosso consumo. E, um mundo
melhor para todos, depende de uma reflexão urgente sobre esses pontos.
Educação financeira e impacto das compras
A educação financeira é a análise de qual impacto essas compras
terão nas finanças; analisando se existe condição de pagá-la; os impactos nas
finanças no futuro; gastos que essa ação de consumo gerará; planejamento para a
compra a vista, em detrimento aos problemas das compras a prazo. Em resumo
todos os pontos que podem gerar problemas com endividamento.
Assim, é importante reforçar que as notícias sobre o queda dos
juros Selic são ótimas, e demonstram um país em crescimento, contudo, o impacto
que essa notícia terá na vidas das pessoas deve ser objeto de análise, para que
isso não reflita em uma bolha de consumo desenfreado e a altas taxas de
inadimplência.
Instituto Brasileiro de Governança Corporativa promoveu evento
O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC)
promoveu em 29 de julho no Hotel Grand
Hyatt em São Paulo,
palestra-almoço com dois executivos de bancos de médio porte. As palestras
foram com o Diretor Presidente do Banco Indusval Multistock, Manoel Felix
Cintra Neto e com o Vice Presidente do BIC Banco, Milton Bardini.
O tema central das duas palestras foi sobre a crise global, que
começou a ser percebida em meados de 2007, quando atingiu o mercado hipotecário
americano, o mercado de capitais e a saúde financeira dos bancos. Houve falha na percepção do risco sistêmico e
demora na adoção de medidas efetivas.
No Brasil a ressaca chegou em setembro de 2008, atingindo as
exportações, afetando o agronegócio, reduzindo a atividade econômica, tendo
efeito recessivo impactou o nível de emprego, cortou as linhas de crédito
externas, espantou o mercado de capitais e migrou recursos para pólos
considerados mais seguros. Houve
competição de recursos entre o Governo e Bancos, e entre os Bancos Grandes e os
Bancos Médios.
Gestão de Liquidez, de Custos e de Risco
No caso do Banco Indusval foram tomadas três precauções: Gestão
da Liquidez (limitação a novas operações de crédito e renovações; diversificação
das fontes de funding), Gestão de
Custos (ajuste do quadro funcional; revisão e reestruturação de processos e
procedimentos); Gestão de Risco (redução de exposição a crédito com
reforço de garantias nas renegociações; menor exposição a riscos de mercado nas
posições compromissadas).
A crise para os bancos médios no Brasil gerou teste de liquidez,
stress sobre a qualidade da carteira
de créditos, questionamento e checagem do modelo de negócios e o èxodo de
acionistas.
* Paulo França é o Publisher do SOECONOMIA e Economista pela
Universidade de São Paulo, com Cursos em Ciências Políticas
e Administração de Empresas no Mestrado Stricto-Sensu. É articulista econômico
em Jornal (Boletim de Notícias de Goiás), tendo também experiências em
Revistas, Rádio, TV e Internet. Palestrante em diversos estados do Brasil ministrando
cursos de captação de recursos para o terceiro setor e setores financeiro, em
mineração, bens de capital, celulose, tecnologia, hotelaria, automotivo, entre
outros. Consultor em investimento e financiamento. Criador do Soeconomia
(veículo de comunicação, www.soeconomia.com.br). Autor do Livro Captação de
Recursos para Projetos e Empreendimentos com 3.000 exemplares editados e
disponível nas Livrarias Senac, Cultura, FNAC, MegaSaraiva, Submarino, entre
outras. |