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26/03/2009 - 17h35min
Por Paulo França (*)
O Brasil pode alcançar o topo da lista dos
países com as maiores reservas de urânio do mundo. A informação foi dada pelo
Contra-almirante da Marinha do Brasil, Carlos Passos Bezerril (foto), durante
almoço com mais de 600 empresários no Fórum de Temas Nacionais da ADVB-SP
(Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil) realizado ontem
(23), em São Paulo.
Segundo Bezerril, apenas 30% do território nacional foi
prospectado até então, fazendo com que o Brasil fosse classificado como a sexta
nação mais rica em urânio no mundo. "Atualmente contamos com 309 mil toneladas,
mas há a estimativa de que tenhamos mais 800 mil toneladas, o que fará do
Brasil a primeira ou a segunda reserva do mundo", explicou o representante da
Marinha. A palestra teve como tema a produção de energia nuclear com tecnologia
nacional e a construção do primeiro submarino atômico brasileiro.
Para o Brasil, tomar conhecimento da
capacidade de sua reserva de urânio significa ter acesso à matéria-prima
necessária para a produção de energia nuclear. "Poderemos aumentar a
participação da matriz nuclear na matriz energética do Brasil", enfatizou
Bezerril. Cerca de 16% de toda a energia elétrica do mundo vem da fonte
nuclear. No Brasil, 85% vem de fonte hidrelétrica.
Opinião de Geraldo Alckmin
"A Marinha brasileira está na vanguarda,
precursora da tecnologia, da pesquisa, liderando estudos fundamentais para a
defesa brasileira para fins pacíficos, para a indústria, a agricultura, setores
variados da economia e também para a medicina nuclear", enfatizou o ex-governador
de São Paulo e atual secretário de desenvolvimento do Estado, Geraldo Alckmin,
presidente de honra da solenidade de abertura do Fórum.
Durante o almoço realizado pela ADVB-SP,
Bezerril informou aos empresários que o Brasil já tem o domínio completo do
ciclo do combustível nuclear e agora avança em direção à tecnologia necessária
para a construção dos reatores destinados à geração da energia. O
contra-almirante reforçou também que os trabalhos de pesquisa relacionados à
energia nuclear podem ser realizados com a parceria da iniciativa privada. Na
ocasião, informou ainda que a parceria que está sendo negociada entre a Marinha
do Brasil e a França prevê a construção de quatro submarinos convencionais e um
submarino nuclear.
Sobre a energia nuclear
De acordo com a Marinha do Brasil, em texto
publicado em seu portal na internet, o https://www.mar.mil.br/pnm/pnm.htm, a
energia nuclear é uma fonte de energia firme e limpa, não emite gás poluente
para a atmosfera, utiliza em sua construção um número reduzido de materiais
(por kWh) se comparada com a energia solar e eólica, produz pequena quantidade
de rejeitos, e não contribui para o efeito estufa, pois não emite dióxido de
carbono (CO2), ao contrário do carvão, petróleo e gás; além de não necessitar
dos grandes reservatórios (com seus decorrentes problemas ambientais) das
hidroelétricas. Única alternativa viável, para a maior parte dos países, para
suprir a crescente demanda por energia ante a futura escassez dos combustíveis
fósseis, não é sem razão que a maior concentração de usinas nucleares
encontra-se nas principais regiões consumidoras de energia do mundo.
Ainda segundo as informações publicadas no
portal da Marinha na internet: "Como resultado de grande esforço nacional, o
Brasil tem capacidade de fabricar o próprio combustível nuclear, sem nenhuma
dependência externa, e o conhecimento para projetar e construir plantas
nucleares de potência, que custam no mercado internacional acima de três
bilhões de dólares cada".
(*) Paulo França é o Publisher do
Soeconomia. Economista pela Universidade de São Paulo, com Cursos em Ciências Políticas
e Administração de Empresas no Mestrado Stricto-Sensu. É articulista econômico
em Jornal (Boletim de Notícias de Goiás), tendo também experiências em
Revistas, Rádio e TV. Palestrante em diversos estados do Brasil ministrando
cursos de captação de recursos para o terceiro setor e setores financeiro, em
mineração, bens de capital, celulose, tecnologia, hotelaria, automotivo, entre
outros. Consultor em investimento e financiamento. Criador do Soeconomia
(veículo de comunicação, www.soeconomia.com.br). Autor do Livro Captação de
Recursos para Projetos e Empreendimentos com 3.000 exemplares editados e
disponível nas Livrarias Senac, Cultura, FNAC, MegaSaraiva, Submarino, entre
outras. |