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Entre a carreira e a Família
8/03/07 - 07h18
Em nenhuma outra época da história a
mulher teve de se questionar sobre as suas escolhas como hoje. A dúvida entre
investir seu tempo e seus esforços em uma carreira profissional ou dedicar-se à
construção de uma família angustia muitas mulheres. Para elas, a vontade
natural de ter filhos pode se tornar um problema.
Com o objetivo de entender esse
dilema, a economista norte-americana Sylvia Ann Hewlett realizou uma pesquisa
entre mulheres bem remuneradas e com alto nível de instrução. O resultado foi a
publicação do livro Creating a life; Women and the Quest for Children. Em um
artigo publicado pela revista Exame, a economista afirma que entre as mulheres
norte-americanas que ganham mais de cem mil dólares, 49% não têm filhos,
enquanto entre os homens esse percentual é de 19%. Não há políticas
que apóiem a maternidade
Por que é tão difícil para a mulher
ter uma carreira bem-sucedida a ter filhos? Segundo Hewlett, não foram criadas
políticas, tanto no local de trabalho como na sociedade, de apoio às mães que
trabalham fora do lar: "Ironicamente, essa falta de política é, de certa
forma, culpa do movimento feminista americano. Se retrocedermos ao século 19,
veremos que as feministas dos Estados Unidos canalizaram grande parte de sua
energia para a luta pela igualdade formal com os homens", diz a
economista.
Outro obstáculo comentado por
Hewlett é o modo como as mulheres jovens encaram essa questão. Entre os 20
anos, a mulher pensa que pode se dedicar integralmente à carreira e quando
estiver entre os 35 anos poderá pensar na maternidade. Hewlett diz que "a
mídia sempre alardeia os avanços da ciência da reprodução, dando às mulheres a
ilusão de que podem adiar a maternidade até que suas carreiras estejam
consolidadas. As novas tecnologias de reprodução não têm ainda uma resposta
para o problema da fertilidade no caso de mulheres mais velhas".
Sugestões
para conciliar o trabalho e a família
A solução para a dúvida entre
carreira e maternidade parece impossível. Entretanto, a economista dá algumas
sugestões para as mulheres que pretendem conciliar o trabalho e a família:
- Imagine que tipo de vida você quer
ter aos 45 anos. Se pretende ter filhos (cerca de 86% a 89% das mulheres com
salários entre 55 mil e 65 mil dólares anuais querem ser mães) é essencial que
você se comprometa com a idéia, e aja rapidamente.
- Tenha o seu primeiro filho antes
dos 30. O milagre da maternidade tardia, pouco comum, traz muitos riscos e a
sua possível não realização, muitas frustrações.
- Escolha uma carreira que lhe
permita controlar seu tempo. Certas carreiras dão mais flexibilidade e não se
ressentem tanto de interrupções.
- Escolha uma empresa que se
comprometa a ajudá-la a atingir o ponto de equilíbrio entre o trabalho e a vida
pessoal. Descubra se a empresa tem programas de jornada reduzida e se concede
licença com garantia de retorno ao trabalho".
Uma saída que as norte-americanas
estão encontrado é dedicar-se somente à família. Susan De Ritis, fundadora do
Family and Home Network, disse que "as mulheres querem ter filhos e
criá-los, e estão encontrando caminhos para realizar a tarefa em tempo
integral".
Idade
limite de 30 anos para fundar uma família
A economista Sylvia Ann Hewlett
aconselha às mulheres: "Não digo que joguem fora a sua carreira, mas para
as mulheres em torno dos 30 anos, idade em que fundar uma família e ter filhos
é relativamente fácil, esta deve ser a prioridade, e não o trabalho".
Entretanto, em muitos casos, o
trabalho da mulher é uma necessidade para o sustento da família. Mas o que se
vê atualmente é uma preferência pela carreira que, a longo prazo, não realiza a
mulher tanto quanto a família.
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