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INVESTIMENTO EM INFRA-ESTRUTURA NÃO GERA RIQUEZA, MAS DIMINUI CUSTOS PDF Imprimir E-mail
1º/02/07 - 08h54

Investimentos em infra-estrutura previstos pelo PAC do Governo Federal não necessariamente geram, sozinhos, mais riqueza para o país, avalia Presidente do Lean Institute Brasil

O Presidente do Lean Institute Brasil, José Roberto Ferro, acredita que é "um equívoco afirmar que haverá necessariamente um aumento da riqueza do país, simplesmente gerado pelos investimentos em infra-estrutura", prometidos pelo recém-lançado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal, que prevê investimento de R$ 503,9 bilhões em quatro anos para tentar fazer o país crescer 5% anuais entre 2008 e 2010.

Riqueza é gerada pela transformação da matéria-prima em produto final

"É um erro afirmar que investimentos em infra-estrutura necessariamente geram mais riquezas. Investir em transporte e em energia, por exemplo, não agrega valor em nada, apenas reduz custo de produção. E isso não ajuda o país a crescer. O que gera, sim, riqueza é o processo de transformação de matéria-prima em produto final. Portanto, a chave do crescimento econômico está no aumento da produtividade", explicou o especialista, estudioso do "pensamento enxuto" (lean thinking), filosofia que prega o fim dos desperdícios nos processos produtivos, método originário do Sistema Toyota de Produção.

O Professor José Roberto Ferro exemplifica seu argumento citando o caso das estradas brasileiras. "Por exemplo, os problemas gerados pelas nossas estradas esburacadas, que aumentam os custos de manutenção para o caminhão, atrasam as entregas de produtos, gerando mais estoque e, conseqüentemente, perda de dinheiro. Todos nós queremos estradas perfeitas, que ajudem na distribuição. Mas isso não significa necessariamente gerar riqueza, aumentar produção. Apenas vai reduzir custo", ensinou José Roberto Ferro.

Energia mais barata também não gera riqueza

Segundo ele, o mesmo princípio vale para a geração de energia: "Uma energia mais barata é uma condição básica para se ter um produto, pois uma empresa precisa de energia para funcionar. Mas energia mais barata também não gera riqueza. Apenas reduz custo, deixando o produto mais competitivo e só. Não aumenta sua produtividade", argumenta o especialista.

Para José Roberto Ferro, "qualquer proposta de crescimento econômico implica em estimular quem efetivamente produz a gerar mais valor, com cada vez menos recursos e investimentos".

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